A VIDA NA VELOCIDADE DA LUZ

Disse o poeta que a maior ilusão é ver as coisas como elas são. Pois o que reconhecemos “real” é apenas uma das possíveis leituras do mundo onde estamos mergulhados – e a mais supericial delas. Muito raramente temos peito para romper essa frágil casca e quase sempre nos entregamos gostosamente ao estado de miopia voluntária. Mas os nossos temores diante do abismo não mudam a natureza das coisas. E a realidade é que por detrás e por dentro de tudo que parece sólido existe um turbilhão de forças, uma explosão de signiicados, uma galáxia de símbolos em movimento vertiginoso – um mundo desenhado à luz. E, entre esse mundo e nós, os olhos do artista convidando a duas viagens simultâneas: para fora, rumo às estrelas, de onde provêm todas as cores; para dentro, em direção a nós mesmos, com nossas luzes e sombras, pelos espaços interiores que precisamos conhecer melhor.

Entre o mistério e o desconhecido, não existe caminho fácil. Mas vale a pena pagar o preço, pois é ele que dá signiicado à nossa peregrinação pelo planeta. A obra de Celso Izidoro é um estímulo vigoroso para quem tem a coragem de dar esse passo fundamental. Passo além dos cinco sentidos, em direção a uma compreensão melhor das dores e maravilhas do existir. Passo que revela novas cores e acrescenta outro sentido à aventura da vida. Passo que rompe com nossa ilusão de ótica. Duplo salto mortal à velocidade da luz, para quem está disposto a tirar véus. E desvendar a vertigem.

| Roberto Prado |
Poeta, escritor, jornalista.
Janeiro de 2006.