Abordagem da metodologia histórica crítica com o intuito de tecer relações vida e obra do artista a im de compreendermos que, por mais que existam mudanças, os verdadeiros valores devem permanecer.

CELSO IZIDORO E A BUSCA DO INCONSCIENTE

Celso Izidoro nasceu em Ituporanga, no interior de Santa Catarina (01/07/54) e está radicado no Paraná desde 1964.

Já participou e foi premiado em inúmeras exposições individuais e coletivas, realizadas em diversos estados brasileiros e no exterior.

Suas obras estão espalhadas em diversas galerias e museus e dispostos em acervos particulares de todo o país, assim como de Portugal, Inglaterra, Alemanha, Estados Unidos, Japão, Áustria, Argentina e Canadá.

Autodidata, nunca freqüentou escola de artes. Começou rabiscando as paredes de casa e da escola com carvão.Logo de início mostrou–se um pintor abstrato, passan-do pelo cubismo e, mais tarde pelo impressionismo. Paralelamente revelou–se excelente retratista e professor de pintura, o que lhe possibilitou viver da arte em Curitiba, como conta a Nery Batista.

A incansável busca do artista em alorar o inconsciente tem sido uma constante, notando–se, assim, em todas as fases, uma grande diversidade de expressão.

Apesar de toda esta busca por uma linguagem própria, atualmente Celso Izidoro retorna à abstração, só que com total controle do inconsciente.

“O artista é livre para brincar com todas as possibilidades...” segundo Celso Izidoro, “é errado pensar que o artista precisa fazer só um tipo de pintura. Isso é a sociedade e os críticos que exigem.”

Inicialmente, ansiava suprir uma carência tentando buscar algo novo na pintura. Brincando com tintas molhadas, carochas e minhocas faziam em suas telas efeitos interessantes. Não satisfeito, Izidoro queria ter o controle sobre essas manchas.

Comenta que tinha vergonha de mostrar seus quadros, com medo de não ser compreendido, evidenciado assim o motivo pelo qual parte para novas experiências.

Começa então a fazer retratos. Ansioso, queria dominar a realidade objetiva, segundo o artista, “seria o subconsciente fazendo algo matemático sem sofrer”. Para tanto criava o ambiente, de acordo com o modelo a ser retratado, móveis, roupas, incensos. Houve um momento em que o fundo do quadro passou a superar o objetivo inicial, pois naquele instante começava a penetrar no inconsciente, ultrapassando barreiras.

Surge então uma nova fase.

A fase Santa, o surrealismo, a simbologia, uma sendo complementada pela outra. Foi com os “Girassóis”, série de trabalhos surrealistas que o artista desenvolveu em meados de 1985, que começou a se preocupar com as cores.

Dominado principalmente pelas misturas de prata e roxo, que o fazia regressar no tempo, e a sabedoria emanada pelo dourado, parte então para a Simbologia.

Na trajetória de Izidoro percebe–se com freqüência um elemento místico, seja ele implícito ou não em sua obra.

Neste estágio não era possível entender o seu trabalho pois, segundo ele, estava dando “um mergulho no inconsciente”.

Para Celso Izidoro, todas as suas fases foram um aprendizado e sempre estarão contidas em sua obra.

De volta ao abstrato, as cores primitivas são predominantes nas suas atuais obras em acrílico sobre tela.“O artista é uma vanguarda de si mesmo”.

| Simone Falkenbach Von Linsingen |
Escola De Música E Belas Artes Do Paraná
(EMBAP) Curitiba, 2003.